Taiadablog: A História do Café !!!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A História do Café !!!



De acordo com o Manual Enciclopédico do Café, o Japão foi um dos países que mais resistiu à entrada dessa estimulante bebida entre seus hábitos regulares. Tradicionalmente adeptos dos chás (o chá verde é a bebida nacional japonesa há aproximadamente mil anos), foi apenas entre os séculos XIX e XX que o café conseguiu conquistar algum espaço entre os nipônicos.
Quando surgiu enquanto alimento, os frutos do café eram assados em gordura e comidos com açúcar. Foi apenas a partir do século XVI em diante, que surgiu a infusão dos grãos na região do Oriente Médio. Mais recente ainda é a utilização do café como fechamento de refeições, hábito tipicamente brasileiro repassado para o resto do mundo. 
Para que o café possa se tornar a bebida que todos conhecem é necessário que passe por um processamento que lhe permita ficar seco, depois torrado e finalmente moído. Seu sabor final, diga-se de passagem, é definido pelo tempo de torragem. Além de ser encontrado em grãos e moído, o café também é disponibilizado em pó solúvel. Além de consumido de diferentes formas enquanto bebida, o café é muitas vezes utilizado como componente para a produção de sorvetes, tortas, bolos e doces. 
Entre as diversas variações de café disponíveis no mundo para o consumo de seus fiéis bebedores podemos destacar o expresso, o colonial, o cappuccino, o brûlot, o vienense, o macchiato, o café com leite, o mocha, o hardy, o escocês, o irlandês, o procope ou ainda o turco (que também responde pelo nome de café grego). 
Tendo surgido enquanto bebida com grande destaque no cenário mundial justamente no período em que efervesciam as idéias renascentistas, o café foi adotado pelos intelectuais e maiores pensadores do racionalismo e do iluminismo e continuou sendo popular entre as elites pensantes européias em períodos posteriores da história. 
Não são poucos os depoimentos de ilustres escritores, políticos, filósofos, cientistas e artistas em favor do consumo do café em virtude de suas grandes qualidades. Honoré de Balzac, por exemplo, escreveu as seguintes linhas sobre o café: “O café cai-nos no estômago e há imediatamente uma comoção geral. As idéias começam a mover-se como os batalhões do Grande Exército no terreno onde a batalha ocorre. As coisas que recordamos surgem a todo o galope, de estandarte ao vento”. 
As origens do café remontam ao continente africano sendo originário especificamente da Etiópia, da região de Kaffa. Os grãos consistem no fruto do cafeeiro, que pertence à família das rubiáceas e tem formato pequeno, arredondado e de cor vermelha. Existem registros de sua utilização desde a Pérsia do século VIII e sua migração para a Arábia, de onde ganhou o mundo depois de ter se aclimatado muito bem, data do século XV. Antes de chegar ao Velho Continente, o caffé (em italiano) primeiro se tornou conhecido dos africanos e dos árabes. 
Na Etiópia, sua terra natal, era consumido como manteiga sob a forma de pasta. Tornou-se bebida na Arábia do Sul já que ajudava alguns povos locais a se manterem acordados para suas preces noturnas. No final da Idade Média, o café passou a ser oferecido em estabelecimentos do Cairo e de Meca, apesar das resistências dos grupos fundamentalistas islâmicos, que por suas qualidades estimulantes condenavam seu consumo. 
Comercializado pelos turcos com as cidades italianas, entre as quais especial destaque para Veneza, o Kaffee (em alemão) foi ganhando terreno em outros países da Europa a partir de estabelecimentos em que as pessoas se sentiam confortáveis para reunir-se e conversar. Esses pontos de encontro tinham ambientes sofisticados e agradaram muito as camadas dominantes e ascendentes, como a nobreza e os burgueses. 
O crescente consumo de café em terras européias durante os séculos XVII e principalmente XVIII motivou a ampliação das áreas de plantio, já que os árabes não conseguiam abastecer de forma satisfatória a crescente demanda. Isso fez com que os holandeses conseguissem alguns pés de café e os levassem para suas colônias orientais em Java e no Sri Lanka. 
Depois de algum tempo essas plantas foram também transplantadas para terras americanas controladas pelos batavos, como a Martinica, São Domingos e o Suriname. A França e a Inglaterra se mostraram igualmente dispostas a trabalhar com o café em virtude de suas grandes possibilidades comerciais e implementaram plantações na Guiana Francesa e na Jamaica. 


Foi, porém no Brasil, para onde o produto foi inicialmente trazido por Francisco de Mello Palheta, vindo da Guiné Francesa para o Pará, que o produto viria a se tornar universalmente popular e de grande consumo algum tempo depois. A história do café no Brasil, a partir do século XVIII, é tão marcante para os rumos do país a partir de então que, de acordo com os economistas e historiadores, não seria possível conceber os avanços pelos quais passou essa nação sem os ricos rendimentos obtidos pelos barões do café. 
Foram os lucros provenientes dessa lavoura, intensificada a partir das décadas de 1830 e 1840 no estado de São Paulo, que permitiram o surgimento das estradas de ferro, o avanço da urbanização, a entrada de grandes levas de imigrantes europeus (italianos, alemães, espanhóis,...) o deslocamento do centro de poder político do Nordeste para o Sudeste e, até mesmo o refinamento dos modos e costumes brasileiros. 
A introdução do café, inicialmente no norte do Brasil, não deu os resultados esperados. Isso acarretou uma espera ligeiramente prolongada, de aproximadamente 90 anos, até que o produto viesse a ser produzido em escala crescente nas regiões aonde iria realmente reinar, ou seja, principalmente em São Paulo. Antes de entrar em terras paulistas foi feita uma incursão no Rio de Janeiro, onde a adaptação do Coffee (em inglês) não foi bem sucedida. 
A influência do café no Brasil também pode ser medida pela relação traçada por vários historiadores e pesquisadores sobre sua influência nos rumos da abolição da escravatura ocorrida em 1888. A necessidade de mão de obra mais qualificada e estimulada para o trabalho teria motivado os barões do café de São Paulo a substituir progressivamente seus escravos pelos imigrantes europeus. 
Isso pode ser percebido até mesmo a partir dos dados relativos aos primeiros centros produtores de café, como o Vale do Paraíba fluminense, comparativamente as novas regiões de produção cafeeira, como o Oeste de São Paulo. Convém lembrar que, a partir do século XIX, os registros de consumo do café em termos mundiais destacam crescimentos vertiginosos. 
Para exemplificar podemos ver o caso da França que entre 1815 e 1938 teve o consumo do vinho dos árabes (como também ficou conhecido o café) multiplicado 24 vezes. Dados mais contemporâneos, como aqueles da Alemanha dos anos 1970, demonstram uma afeição cada vez maior pela bebida ao atestarem um crescimento de 352 litros no início da década para 455 litros por pessoa ao final daquele período. 
O surgimento dos cafés como centros de consumo especializado nessa bebida na Europa também foram decisivos para a explosão de consumo do produto mundo afora. O requinte relacionado a esses estabelecimentos, o crescente fluxo mundial de viajantes (a turismo ou negócios) e também a variedade de novos produtos relacionados ao café agregados a esses mercadores sofisticados da bebida certamente auxiliaram no seu crescimento de vendas. 
Nos dias de hoje calcula-se que de todo o café consumido mundialmente aproximadamente 95% sejam de duas espécies, o Coffea arábica e o Coffea robusta. Esse café é proveniente de plantações que existem em países como a Colômbia, a Costa Rica, a Arábia Saudita, a Índia, a Etiópia, Angola, Zaire, México e principalmente do Brasil, o maior produtor mundial. 
O que se sabe, ao certo, é que hoje em dia é muito difícil ficar longe de um bom cafezinho a nos despertar os sentidos, inebriar a alma e acelerar os passos. Isso nos faz recordar um pronunciamento a respeito do café de um dos maiores personagens da história, o general e imperador da França no início do século XIX, Napoleão Bonaparte: “O café, forte e abundante, desperta-me. Dá-me calor, uma força invulgar, uma dor não sem prazer. Prefiro sofrer do que ser insensível”.
  
Prof. Dr. João Luís de Almeida Machado
é membro da Academia Caçapavense de Letras

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